A busca interminável pelo que não se quer

Eu pego o celular para buscar algo que não sei bem o que é. Como não sei o que procuro, também não o encontro. E nisso passam-se horas, às vezes. E sempre quero mais. Mesmo depois de uma tarde inteira de busca. A busca interminável pelo que não se quer. Talvez a cura seja saber o que quero. O que eu busco? Quando parar? Como parar? É um rolo infinito de qualquer coisa. Se você parar tempo o suficiente para ver alguma coisa, o aplicativo acha que você gosta daquilo e te mostra mais daquilo. Ele mostra o que você gosta? Não! Ele mostra o que você aceitou ver por conta da sua curiosidade ou porque você está lendo a descrição! E isso mexe com a sua cabeça.
Temos a tendência de buscar significado em tudo e interpretamos esse assunto recorrente como um “sinal”. Sinal que estamos em um relacionamento tóxico. Sinal que estamos em um emprego tóxico. Sinal que temos déficit de atenção, dislexia, autismo, etc. Sinal que a culpa dos nossos problemas é de alguém. Alguém sem nome, sem rosto, que não conhecemos. Alguém de fora da bolha construída pelo rolo infinito de vídeos curtos. A dose certa de droga para te viciar e te prender. O Um Aplicativo.
Três aplicativos de mensagem
para nos distanciar e iludir
Sete aplicativos de serviço
para nos escravizar e nos empreguiçar
Nove joguinhos casuais
para nos distrair e entorpecer
Um aplicativo para o Senhor das Trevas
Na Terra do Silício onde os sonhos morrem
Um aplicativo para nos governar
Um aplicativo para nos encontrar
Um aplicativo para nos enroscar e nos aprisionar em bolhas artificiais
Na Terra do Silício onde os sonhos morrem